quarta-feira, 14 de novembro de 2007

INCLUSÃO


CUIDADOS DIFERENTES PARA CADA DEFICIÊNCIA

Na educação inclusiva não se espera que a pessoa com deficiência se adapte à escola, mas que esta se transforme de forma a possibilitar a inserção daquela. Para isso, algumas orientações são úteis. As que estão a seguir mesclam informações do kit Escola Viva, criado pelo MEC em conjunto com a associação Sorri Brasil, com indicações elaboradas pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Vale lembrar que os serviços de apoio não substituem o professor da escola regular.

(Auditiva)

Sempre fale de frente. A escola precisa providenciar um instrutor para a criança que não conhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas cujos pais tenham optado pelo uso dessa forma de comunicação. Esse profissional deve estar disponível para ensinar os professores e as demais crianças. O ideal é ter também fonoaudiólogos disponíveis.
Sugestões:1- Consiga junto ao médico do estudante informações sobre o funcionamento e a potência do aparelho auditivo que ele usa.2- Garanta que ele possa ver, do lugar onde estiver sentado, seus lábios. Ou seja, nunca fale de costas para a classe.3- Solicite que o estudante repita suas instruções para se certificar de que a proposta foi compreendida.4- Use representações gráficas para introduzir conceitos novos.5- Oriente o restante da classe a falar sempre de frente para o deficiente.

(Visual)

Material específico. A escola deve solicitar à mantenedora o material didático necessário — regletes (régua para escrever em braille) e soroban —, além da presença de um profissional para ensinar a criança cega, os colegas e os professores a ler e escrever em braille. O deficiente deve contar com tratamento oftalmológico e receber, na rede ou em instituições especializadas, instruções sobre mobilidade e locomoção nas ruas. Deve também conhecer e aprender a utilizar ferramentas de comunicação, como sintetizadores de voz que possibilitam ao cego escrever e ler via computador. Em termos de acessibilidade, o ideal é colocar cercados no chão, abaixo dos extintores de incêndio, e instalar corrimão nas escadas.
Sugestões:1- Pergunte ao aluno e à família quais são as possibilidades e necessidades dele.2- A melhor maneira de guiar o cego é oferecer-lhe o braço flexionado, de forma que ele possa segurá-lo pelo cotovelo.3- Descreva os ambientes com detalhes e não mude os móveis de lugar com freqüência. Os recursos didáticos aconselhados são: lupa, livro falado e materiais desportivos como bola de guizo.4- Busque na turma colegas dispostos a ajudá-lo.5- Substitua explicações com gestos por atividades em que o deficiente se movimente. Por exemplo: forme uma roda com a criançada para explicar o movimento de translação da Terra.

(Física)

Adaptar os espaços. Toda escola precisa eliminar as barreiras arquitetônicas, mesmo que não tenha jovens com deficiências matriculados. As adaptações do edifício incluem: rampas de acesso, instalação de barras de apoio e alargamento das portas. No caso de haver deficientes físicos nas classes, a modelagem do mobiliário deve levar em conta as características deles. Entre os materiais de apoio pedagógico necessários estão pranchas ou presilhas para prender o papel na classe, suporte para lápis, computadores que funcionam por contato na tela e outros recursos tecnológicos.
Sugestões:1- Pergunte ao aluno e à família que tipo de ajuda ele precisa, se toma medicamentos, se tem horário específico para ir ao banheiro, se tem crises e que procedimento adotar se isso ocorrer.2- Aqueles que andam em cadeira de rodas precisam mudar constantemente de posição para evitar cansaço e desconforto.3- Informe-se sobre a postura adequada do aluno, tanto em pé quanto sentado, e garanta que ele não fuja dela.4- Se necessário, fixe as folhas de papel na classe usando fita adesiva. Os lápis podem ser engrossados com esparadrapo para auxiliá-lo na escrita, caso ele tenha pouca força muscular.5- Ouça com paciência quem tem comprometimento da fala e não termine as frases por ele.

(Mental)

Tarefas individuais. Geralmente os deficientes mentais têm dificuldade para operar as idéias de forma abstrata. Como não há um perfil único, é necessário um acompanhamento individual e contínuo, tanto da família como do corpo médico. As deficiências não podem ser medidas e definidas genericamente. Há que levar em conta a situação atual da pessoa, ou seja, a condição que resulta da interação entre as características do indivíduo e as do ambiente. Informe-se sobre as especificidades e os instrumentos adequados para fazer com que o jovem encontre na escola um ambiente agradável, sem discriminação e capaz de proporcionar um aprendizado efetivo, tanto do ponto de vista educativo quanto do social.
Sugestões:1- Posicione o aluno nas primeiras carteiras, de forma que você possa estar sempre atento a ele.2- Estimule o desenvolvimento de habilidades interpessoais e ensine-o a pedir instruções e solicitar ajuda.3- Trate-o de acordo com a faixa etária.4- Adapte os conteúdos curriculares depois de cuidadosa avaliação de uma equipe de apoio multiprofissional.5- Avalie a criança pelo progresso individual e com base em seus talentos e suas habilidades naturais, sem compará-la com a turma.

Obs:. As dicas fornecidas aqui são as consideradas ideais para uma escola que realmente deseja tornar-se inclusiva. É claro que sabemos que o poder público não dispõe de todos os profissionais aqui sugeridos nem de toda infra-estrutura necessária, mas temos que partir de algo pra começar a "incluir", então, que tomemos por base o "ideal", para iniciarmos com o que temos, com o que é viável. É nesse sentido que afirmo que as escolas públicas operam verdadeiros "milagres" com os poucos recursos que dispõem !



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